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Quando o controle ganha espaço no relacionamento

  • Foto do escritor: Suellen Dias
    Suellen Dias
  • 16 de jan.
  • 3 min de leitura

Em muitos relacionamentos, o controle não aparece de forma evidente ou agressiva. Às vezes, ele surge em momentos sutis do dia a dia - em opiniões que parecem "obviamente certas", em decisões tomadas com boas intenções, ou na crença de que fazer as coisas de um determinado jeito é simplesmente melhor do que qualquer outra opção.


Frequentemente, o comportamento controlador não é movido pelo desejo de dominar, mas pela insegurança e pelo medo. O problema é que, quando o controle se torna a principal forma de se sentir seguro(a), ele vai, aos poucos, remodelando a dinâmica emocional do relacionamento - afetando ambos os parceiros de maneiras diferentes, porém igualmente dolorosas.


O impacto sobre o parceiro mais passivo

Quando um parceiro assume constantemente a liderança, decide o que é melhor ou invalida as iniciativas do outro, o parceiro mais passivo pode começar a se encolher emocionalmente.

No início, esse parceiro pode tentar se adaptar, evitando conflitos, ficando em silêncio ou deixando o outro decidir "porque é mais fácil." Com o tempo, porém, essa adaptação pode se transformar em dúvida sobre si mesmo(a). A pessoa pode parar de expressar opiniões, evitar tomar decisões ou sentir ansiedade ao tomar iniciativa.


Uma consequência comum é o afastamento emocional. O parceiro mais passivo pode se sentir invisível, sem importância ou incapaz - não porque realmente seja, mas porque suas tentativas são repetidamente desconsideradas.


No dia a dia, isso costuma soar como: "Faça do jeito que você achar melhor." Ou, internamente: "Não adianta tentar."


Um exemplo da vida real

Imagine um casal em que a esposa acredita que sua forma de planejar o lazer é sempre a melhor opção. Ela organiza tudo com cuidado e vê isso como uma atitude responsável e atenciosa.

Em um fim de semana, o marido decide fazer algo diferente. Pela primeira vez, ele planeja uma viagem surpresa para a família - esperando criar conexão, descanso e uma memória especial.


Em vez de se sentir valorizado, ele recebe críticas. Ela reclama do destino, do horário, da falta de planejamento e diz que ele não deveria ter feito isso sem a aprovação dela, porque foi uma "perda de tempo."

O que deveria ser um momento de conexão se transforma em tensão. O fim de semana termina com todos estressados, frustrados e emocionalmente distantes.


Depois disso, o marido pensa: "Não vou planejar nada de novo."


O custo oculto para o parceiro controlador

De fora, o parceiro controlador pode parecer confiante, decidido e organizado. Por dentro, no entanto, a experiência costuma ser bem diferente.

Estar no controle exige um esforço mental constante. Há uma vigilância permanente: checar, corrigir, antecipar e evitar erros. Isso gera estresse crônico e pouco espaço para descanso ou espontaneidade.


O parceiro controlador também pode se sentir solitário. Quando tudo depende dele(a), a verdadeira parceria desaparece. Em vez de compartilhar responsabilidades, ele(a) carrega tudo - e frequentemente se sente não reconhecido(a), sobrecarregado(a) ou frustrado(a) quando os outros não correspondem às suas expectativas.


A longo prazo, o controle não traz paz. Ele reforça a crença de que: "Se eu soltar o controle, tudo vai desmoronar."


E essa crença mantém a ansiedade viva.


Uma reflexão gentil

O controle pode parecer segurança, mas frequentemente custa a conexão.

Quando um parceiro deixa de se expressar e o outro se sente responsável por tudo, o relacionamento perde o equilíbrio. A intimidade dá lugar à tensão, e o amor se transforma em gestão.


Relacionamentos saudáveis crescem quando há espaço para erros, diferenças e influência compartilhada - não quando uma única pessoa segura sozinha o volante emocional.

Abrir mão do controle não é sobre descuido. É sobre confiar que um relacionamento se constrói a dois, e não se administra sozinho.

 
 
 

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